Estes dias ouvi num podcast o entrevistado responder que nunca tinha tido inveja de outras pessoas conhecidas, na área dele, porque nunca tinha visto neles nada que ele gostasse de ter. E fiquei a pensar se era isso que motivava a inveja; penso que não, há outras molas que espoletam a inveja, uma delas, por exemplo, é ter já o que o outro possui, mas querer ter mais, ou seja, estar à frente do outro, acima do outro.
Houve uma época em que eu afirmava, convictamente, que se havia defeito que eu não tinha era a inveja, efectivamente eu não invejava o carro topo de gama, a mansão com piscina, a fama, ou o que quer que seja que normalmente as pessoas invejam. Porém, um dia descobri que os meus alvos eram o intangível, qualidades que via noutros e sabia não possuir. Confesso que fiquei bastante chocada, foi um baque... mas também uma revelação sobre mim mesma, e eu estou aqui para saber a verdade, sem contemplações. Portanto, comecei a ficar mais atenta a mim mesma. A observar-me. E a desmontar as minhas emoções.
Eu penso que a inveja é inerentemente humana, e que não devemos sentir culpa por isso. Desde que vista, constatada e processada, para que seja neutralizada. A inveja que arranca para pensamentos negativos, para desejos de boicote do outro, é que deve ser condenável, e por isso "tratada". Ninguém é feliz apenas por possuir bens materiais, ou por ser célebre, aliás sabemos frequentemente de pessoas que possuem tudo isso, e não o são. Acaba por ser um desgaste de energia inócuo, sentir inveja dessas coisas.
Um dia, todos sairemos daqui sem os carros, as casas, as joias, os livros, as colecções, só levamos connosco aquilo que somos, que fomos e construímos. A inefável leveza do ser. E o nosso foco deve ser esse.
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