Palavra que eu tenho, desde há alguns anos, intencionalmente praticado o desapego, e achava até que estava a fazer um bom trabalho, porém este estudo surgindo-me neste momento, quando nem sequer o procurava, ressoou em mim como um sino de igreja. Entrei agora num outro nível, já não é desapego material, estes dias, estas semanas, este mês, tenho que me preparar não apenas para me desapegar da matéria, do físico, mas também do emocional, com a partida da minha filha para o estrangeiro.
Já não é apenas a semana passada em Coimbra. Nem um semestre na Polónia. Nem um estágio na Chéquia. Tudo isso tinha bilhete de regresso, agora só há bilhete de ida, pois a mudança planeada será permanente.
Recordo -me das vezes que outras mães me contavam sobre os filhos que tinham emigrado, e concluíam " O que nós queremos é que eles sejam felizes, não é?", e eu respondia sempre: Sim, queremos, mas se eles pudessem ser felizes perto de nós era melhor.
Nunca a ideia me agradou, nunca a achei natural, o natural é as famílias ficarem juntas, e existir convívio e ajuda inter-geracional, mas também não serei eu a cortar as asas dos meus filhos. Continuarei a fazer o que sempre fiz, a apoiar, a escutar, a aconselhar, e a rezar.
Lembro-me também das vezes em que à noite, já deitada na minha cama, pensava na tranquilidade que era saber que tinha os meus filhos em casa, cada um a dormir no seu quarto. A paz que aquele pensamento me proporcionava! Ainda bem que na época eu tive o discernimento de observar e apreciar esse tempo.
É apenas mais uma fase, desta aventura da maternidade, que terei de processar, esta está instalada na área do desapego.
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