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| Via Pinterest |
Estou convencida de que a procura pelo equilíbrio é uma das leis do universo, que se aplica a absolutamente tudo, e que isso tanto se observa fora como dentro, sendo que um influencia o outro.
A Moda é um exemplo claro desta minha opinião; depois de observarmos a sua decadência com, por exemplo, a exibição de calças rotas, esfiapadas, desgastadas, mesmo por marcas de luxo, que são popularizadas por rappers, actores conhecidos, e influenciadores, que reforçam as tendências das passarelas, as pessoas comuns começam a reagir nas ruas apresentando-se com um vestuário cuidado e refinado. E não apenas nas ruas, nas redes sociais multiplicam-se as páginas e canais de divulgação de quem gosta de se apresentar com aprimoramento, de quem se passeia pela via pública procurando quem o faz igualmente, para sua divulgação. E isto à margem das tendências, por iniciativa própria, e gosto.
A nova rebeldia no vestuário é escolher peças de bom aspecto, de materiais naturais, com corte impecável, e também neste capítulo surgem, abundantemente, os influenciadores que procuram divulgar os alfaiates, as costureiras de gabarito, o feito à mão, as lojas Vintage aonde se podem adquirir peças de marcas conhecidas Made in France, ou feitas na Europa, com matérias nobres, já muito difíceis de encontrar à vendas nas lojas. Idem para o calçado, feito em Portugal para marcas mais conhecidas ou menos, porém sempre de qualidade superior. Para os chapéus, e acessórios como gravatas e cintos. A tendência que pretende recuperar o bom gosto e refinamento soma e segue, com cada vez mais pessoas a juntarem-se ao movimento.
Não será absurdo também explicar este fenómeno com a crescente consciência do consumidor, sabemos hoje que os materiais artificias como o poliéster são tóxicos, inclusivamente implicados na baixa fertilidade; que a compra de vestuário deve ser um acto mais reflectido, considerando a sua proveniência, tendo em conta a questão ambiental; que nesse sentido comprar menos e melhor, peças para durar em vez de peças que duram apenas uma época, seja por moda seja por falta de durabilidade da própria peça, é uma escolha capacitada.
Eu, que desde sempre me pautei por estes critérios, primeiro por educação, depois por escolha consciente, fico muito contente ao constatar que este novo equilíbrio da Moda está, finalmente, na mão do consumidor. Talvez por isso, vivemos uma época em que peças tão opostas, como a saia maxi e a mini convivem tanto como as calças skinny e as pallazo; o consumidor assumiu o poder, e escolhe o que lhe parece mais bonito e mais lisonjeador.
Gosto muito de me sentar numa esplanada a observar quem passa, como se vestem, como caminham, os semblantes, e começo a descobrir uma nova forma muito mais agradável aos olhos, o revivalismo do bom gosto e elegância que me fazem sorrir. Será um triunfo para ficar? Não sei, pois outra Lei Universal, mais do que constatada, é a da mudança, porém, entretanto vou desfrutar desta, que me agrada sobremaneira.
