Aconteceu-me recentemente ouvir parte de uma conversa alheia entre duas jovens, em que uma contava à outra como tinha perdido os óculos de sol durante três meses; tinha-os procurado por todo o lado: no carro, em casa, na casa dos outros, no saco da ginástica, perguntado a toda a gente e por fim desistido. Um dia, mete a mão no saco da ginástica e tira-os! E que isto passa a vida a acontecer-lhe. Encostou mais a cabeça ao rosto da amiga, inclinando-a para a esquerda, para fixar os olhos muito abertos nos dela, para dizer, pronunciando as palavras muito distintas silabicamente ( e aqui foi quando me deu uma vontade de rir tão grande, que quase não consegui controlar) : Juro. Parece que alguém me tira as coisas do sítio, espera que eu dê por falta delas e vai lá pô-las outra vez! Juro!
Eu sei que isto é daquelas coisas que contando tem pouca graça, ou nenhuma, só mesmo assistindo, e dá pena não conseguir partilhar o cómico da cena, assim contado até parece uma ninharia, mas lembrei-me muito desta história porque há dias a Letícia perdeu um brinco que a minha mãe lhe deu, e obviamente ficou triste, para além do valor era uma recordação da avó; e fartamo-nos de o procurar pela casa e jardim, sem sucesso até aceitarmos que era uma perda definitiva. E de repente, aonde eu já tinha estado, visto e revisto, encontro o brinco, a cintilar como um semáforo intermitente! Ele não poderia estar ali o tempo todo porque se assim fosse já teria sido pisado, e porém estava intacto.
Foi como se alguém o tivesse posto ali naquele momento para eu o ver. Fiquei muitíssimo satisfeita e contente por ter encontrado o brinco, e em simultâneo bastante perplexa. Fez-me recordar a história da miúda, compreendi a intensidade com que ela contou o seu episódio à amiga. Há coisas estranhas...misteriosas.
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