quarta-feira, 11 de março de 2026

A Propósito de Chá em Saquetas

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi chá em saquetas, foi-me oferecida uma ampla escolha de sabores, em casa de uns amigos do meu pai, recém chegados dos E.U., ele português, ela americana, de onde tinham trazido uma série de novidades. Escolhi limão, maravilhada com aquela opção tão inovadora; em casa, quando queríamos chá de limão cortávamos uma casca e fervíamos na água. Achei aquilo o máximo da modernidade. 

Também me recordo de ficar impressionada com uma revista grossa, que a senhora trouxera, onde estava a programação de imensos canais de televisão ( em Portugal só existiam dois) para todo o ano! A América era o máximo!

E a cultura americana impressionou a todos, e por isso foi sendo adoptada e cada negócio que surgiu um sucesso estrondoso, os hamburguers, as asinhas de frango, a coca-cola, a Pepsi, os chocolates, os sundays, os doces embalados como os donuts, que duram meses, e por aí fora. Foi pela novidade? Pela qualidade? Um pouco talvez, mas foi sobretudo pelo markting que a cultura norte-americana se impôs, e praticamente abafou tudo à volta, desde a música, à comida, passando pela moda. 

Mas é tudo tão mau para a saúde! Agora sabemos quão péssimo é o chá em saquetas, começando pelo veneno escondido no papel tóxico opaco, e no conteúdo, onde inclusivamente já foram encontrados resíduos de insectos, e outros brindes de igual calibre. Agora sabemos que não há nada melhor do que um chá de limão feito com limão verdadeiro, fresco, ou ervas colhidas de um vaso. A evolução e a modernidade são argumentos ilusórios, e frequentemente nefastos. 

Ainda me recordo de em certa altura, esse amigo do meu pai, ter pedido o grande favor à minha mãe de ir lá a casa ensinar a sua senhora, a fazer um Arroz de Bacalhau, com o qual se tinha deliciado em nossa casa. Não sei se ela alguma vez o fez, mas sei que apesar de ter vivido várias décadas nos E.U. ele nunca ficou convencido de que a cultura deles era melhor do que a nossa, pelo contrário. 

Frequentemente, as coisas mais simples da vida revelam-se as melhores e mais saudáveis, complicar é uma armadilha que devemos detectar para evitar.