quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Estridências


Pensar que para muitos ouvir isto é tão cacofónico como para mim ouvir a dita música pimba, ou mesmo o folclore minhoto... é uma descoberta recente. E que tenho que respeitar. Não é fácil.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O Privilégio da Solidão

Já o tenho dito por diversas vezes, eu sou uma apreciadora da solidão. Não me interpretem mal, gosto  imenso do convívio com familiares e amigos; gosto desse vai-e-vem aqui em casa, porém aprecio igualmente a quietude que se instala na casa, quando partem.

Há uns tempos, uma senhora que se tinha aposentado há alguns meses, desabafava comigo, dizendo que ainda não se tinha adaptado; que não sabia o que fazer em casa. Entretanto, soube que entrou em depressão, o que não me espantou nada. 

Um dos motivos que me faz apreciar a solidão, para além do próprio silêncio, é ter tantos interesses e ocupações. De facto, o meu tempo é pouco para tudo aquilo que me interessa e quero fazer.
Esse tempo passado com nós próprios, é muito importante, na medida que nos permite conviver connosco; porém, frequentemente é isso que as pessoas temem, encontrarem-se com elas mesmas, e por isso procuram distracções no exterior.
Quando as distracções do exterior cessam, devido a mudanças na vida, como a reforma, por exemplo, as pessoas deparam-se com um vazio, que esteve sempre lá, mas que até aí não tinham tido tempo para o ver, e entram em pânico, por não saberem como preenche-lo.

Ter uma vida repleta é muito distinto de ser uma pessoa repleta; uma vida repleta implica ocupações, horários, pessoas, compromissos, etc. Uma pessoa repleta pode não ter nada daquilo que mencionei, e bastar-se a si mesma. 
Regozijar-se com momentos de silêncio, porque só na quietude nos encontramos é o caminho para nos preenchermos. Precisamos desses momentos para reflectir, sendo isso o que proporciona o conhecimento de nós mesmos. E é assim que nos definimos. Basicamente, temos que atravessar o deserto primeiro, para chegarmos ao oásis. Mas depois compensa!

Há dias ouvi ainda uma frase que me tocou particularmente, e que poderá desvendar a queixa de muitos: "Só é solitário quem não é solidário". O segredo da doação; quando damos de nós, acabamos por receber de volta. E embora pareça um negócio calculista, é assim mesmo que funciona, porque é justo. 
Portanto, entre a solidão necessária para o conhecimento do "eu", e a vontade de pôr esse "eu" ao serviço de outros, de causas, seja o que for, cria-se um equilíbrio que não contempla queixas, nem vitimizações, pelo contrário, é um exercício de grande maturidade e evolução pessoal.  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Raridades

via FB?

Se até os adultos reduzem cada vez mais o hábito da leitura, parece que trocando pela visualização de séries nos canais pagos, onde se podem "ver" os livros, em vez de os ler, como irão os mais pequenos aderir a um hábito que poderá precisar de tempo, e esforço, para se enraizar? 
Segundo Ana Daniela Soares, apresentadora do "Todas as Palavras" da RTP3, o programa tem 100 mil espectadores por semana, mas em Portugal não se vendem 100 mil livros por mês.

Os livros são caros, mas nunca foi tão fácil adquirir livros em segunda mão e tão baratos como agora, ou por último recorrer às bibliotecas públicas. E como já sabemos dos benefícios da leitura para os nossos filhos, e que a melhor estratégia é o exemplo, não nos resta senão afastarmo-nos do ecrã também, não é?  

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Filhos 8 e 80

O Duarte partilha uma casa com dois rapazes, desde meados de Setembro, e é como se vivesse ali sozinho. Cada um dentro do seu quarto, com horários diferentes, fazendo as suas coisas. E está tudo bem.
Se fosse a Letícia isto já seria um problema, que não convivessem com ela, e não fossem amigas por esta altura, haveria de a moer por dentro como a rejeição faz; que não gostavam dela, que não a achavam interessante, mesmo que não a conhecendo, para poderem avaliar tudo isso, ela lhes daria esse poder e crédito, até duvidar dela própria. 

Deveria ter tido três filhos; falta o do meio, aquele que faria a ligação entre o tudo e o nada, e levaria algo de seu a um extremo e outro, proporcionando algum equilíbrio. 
Seja como for, a culpa há-de ser sempre da mãe.  

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Dica de leitura: Britt-Marie Esteve Aqui

Va
A capa do livro é reveladora o suficiente para sabermos que se trata de uma personagem feminina, que de alguma forma se relaciona com limpeza, futebol e ... um rato!
Britt-Marie é uma figura tão marcante que a a sua passagem se revela mesmo na ausência. Sendo uma mulher de 60 anos com capacidades sociais inusitadas (nalguns aspectos fez-me suspeitar de alguma forma de autismo), e experiência profissional quase nula, a sua pretensão a um emprego poderia tomar-se como uma tremenda ilusão, mas não é isso que ela pensa, e como se verá, Britt-Marie revela uma fibra bem superior àquilo que se esperaria, levando-a por caminhos inesperados. É igualmente uma inspiração, não há idade para a realização de sonhos, nem somos aquilo que os outros nos rotulam, portanto isso não deve limitar-nos, e ainda, dentro de nós existe uma história que nos explica, e nem sempre é do conhecimento dos outros. Por conseguinte, um sucessivo desmontar de clichés para nos levar a reflectir acerca dos nossos juízos sobre os outros, e nós mesmos. 

É daqueles livros que agarra o leitor desde as primeiras páginas; uma escrita clara, eficiente, divertida e ainda, muito humana. Frederik Backmann é também autor de "Um homem chamado Ove", cuja filme vi, há alguns anos, e tendo gostado bastante, serviu-me como indicação para esta leitura. 

Título: Britt-Marie esteve aqui
Autor: Frederik Backmann
Editora: Porto Editora
Nr.Págs.304

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Rolo de lentilhas



Rolo de lentilhas*

Ingredientes

500 gr de lentilhas castanhas 
1 cenoura grande ralada 
1/2 chávena de chá de aveia
1 pimento vermelho cortado aos cubos

2 pimentos padrão picados
1 cebola picada

1 dente de alho 
1 colher de café de coentros em pó
1 colher de chá de colorau
1 colher de chá de mostarda em pó
1 colher de sopa de linhaça dourada moída
sal e pimenta q.b.


Como fazer:
Demolhar as lentilhas de um dia para o outro, e cozer em água com sal 5 minutos. Coar e reservar.
Colocar a linhaça dourada numa taça com duas colheres de sopa de água, mexer e deixar repousar.
Deitar a cebola picadinha para uma sertã e deixar ficar translúcida; juntar-lhe o dente de alho picado, a cenoura ralada, o pimento vermelho, os pimentos padrão, e os temperos. Deixar cozer alguns minutos, mexendo ocasionalmente.
Verter os legumes para o robot de cozinha, juntamente com as lentilhas e a aveia, triturar, mas não em demasia, para deixar visíveis as diferentes cores e texturas. Acrescentar a linhaça e envolver. Rectificar o tempero. Verter para uma forma e levar ao formo, médio, cerca de meia hora. 
Decorar com ketchup. Eu tinha molho de tomate caseiro e preferi.

Acompanhamos com arroz basmati e salada de couve roxa.

Muito bom, rápido e outra receita que dá para fazer a mais e congelar.   

* Receita retirada e adaptada do Ambitious Kitchen