sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Dependências

Recentemente uma amiga francesa disse-me que lhe parecia inacreditável que no séc.XXI ainda existissem mulheres economicamente dependentes dos maridos. Há poucos dias, num comentário uma mãe a tempo inteiro reclamava da falta de compreensão dos outros, pela sua opção. Eu sinto o mesmo e isso tem-me feito reflectir.
Respondi à minha amiga que para mim há dependências piores do que a económica, pois conheço várias mulheres independentes financeiramente e no entanto são terrivelmente dependentes emocionalmente. São mulheres que não ousam dar um passo sem consultar o marido, que perderam a iniciativa, que esperam que o cônjuge decida sempre tudo, relutantes em impor as suas vontades e aceitando passivamente o rumo imposto pelo marido.
Uma mulher que queira começar a trabalhar procura emprego e automaticamente começa a ganhar dinheiro; para uma mulher emocionalmente dependente, essa libertação já não será assim tão fácil.
A dependência económica só pode ser pior se o marido usar esse facto, como um instrumento para subjugar; nesse caso, acho que ele será um imbecil que nem se apercebe do privilégio que tem por ter uma companheira disposta a permanecer no lar, providenciando uma vida de qualidade à família. No mínimo será um ignorante, que nem contabilidade sabe fazer. Vejamos o meu exemplo: se eu saísse para trabalhar as crianças precisariam de ficar no colégio o dia todo, logo propinas para 2 crianças, transporte para mim, almoços para toda a família, a empregada teria que vir 4 vezes na semana ao invés de 2 e no final do ano fiscal ao invés de recebermos alguma parte dos impostos, subiríamos automaticamente de escalão e teríamos que pagar! Portanto, eu pagaria para trabalhar. E entretanto, as crianças estariam a ser educadas por estranhos, eu andaria stressada a correr de um lado para o outro e a família não compartilharia tantos e tão bons momentos.
Concluindo, toda a gente é dependente de algo e eu acho que sou dependente sim, da minha família, do amor e do tempo que passamos juntos! E você é dependente do quê?

8 comentários:

  1. Também estou na mesma dependencia que você. Mae de tempo integral, aproveitando todos os momentos com eles. Meu esposo diz que morre de inveja de mim e que gostaria muitas vezes de trocar de lugar comigo, pois ele concorda em gênero, número e grau que sai muito mas muuuuuuuuuuuuito mais econômico para todos nós se um de nós pode cuidar bem da maior riqueza que temos: Nossos Filhos.

    Lindo seu texto, parabéns!!!

    Beijao Georgia

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  2. Olá Fernanda! Concordo com seu posicionamento. Minha mãe não trabalhou mais depois que nos teve (eu meus 2 irmãos). E nós sabemos o quão importante é a presença dela em casa. Ela à svezes se queixa de não ter uma renda mensal para ter mais liberdade de adquirir as coisas que deseja. Eu, por outro lado, que trabalho há 12 anos, não consigo ser apenas dona de casa, e me horroriza a idéia de depender de alguém financeiramente. Me faz bem trabalhar e ganhar o próprio dinheiro. Mas eu não sou casada e não tenho filhos. Penso que a mulher deve ficar a maior parte do tempo com os filhos, mas cada caso é uma caso. O importante é a pessoa se sentir bem e proporcionar bem estar aos demais.
    Beijos
    Jane

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  3. Jane,
    antes de ter filhos não imaginava que um dia ficaria em casa, cuidando deles; os sentimentos que a maternidade desperta mudam tudo, nossas convicções, prioridades, forma de estar na vida, porque as emoções começam a falar mais alto!
    Beijos

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  4. Acredito que sim Fernanda. Quero ter pelo menos um filho pois com certeza e uma experiência maravilhosa e realizadora. Por enquanto eu me divirto com meus sobrinhos. Acho que sou dependente deles, rs, da minha família, de afeto. Mas é bom ser dependente de coisas boas.
    Beijos

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  5. Oi, lindona ! saudades de vc !! Adorei sua reflexão e concordo plenamente com vc !! Parabéns pela sensatez das palavras e sensibilidade de alma !!! Bjus e bjus

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  6. Bom Dia, Fernanda
    Vi seu comentário no blog da Jane (C@atuli) e senti vontade de conhecer seu espaço.
    Você tem razão quando diz que a maternidade nos modifica por completo.
    Eu sou dependente, por completo, do AMOR.
    O AMOR me preenche de tal forma que tudo o mais passa a ser supérfluo.
    Estar ao lado de quem se ama, podendo proporcionar tudo que temos de melhor é a parte mais gratificante de uma união, seja entre homem e mulher, entre pais e filhos, entre familiares, entre amigos, etc...
    Se não houver o AMOR pra unir, tudo se torna difícil, cansativo, irritante...etc.
    Parabéns pelo seu blog e pelo seu belo post.
    Que Deus te Abençoe, ilumine e proteja.
    Felicidades,
    bjs.

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  7. gostei muito do seu post.
    eu tenho 1 filho e trabalho, mas lamento nao estar em tempo integral com ele... mas todo o tempo que podemos (eu e meu marido) damos a ele!
    e entendo o que voce colocou. as situaçoes de vida nao sao iguais mas a atenção que devemos dar aos filhos faz uma diferença enorrrrmeee - pra eles e pra nós!
    belo post!
    beijos,
    alê

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  8. Oi, amiga, estive fora por 20 dias na praia e vi hoje teu comentário e gostei muito de teu blog. Concordo contigo que há dependências bem piores do que a econômica. Fui dependente economicamente de meu marido por muitos anos. Hoje não sou mais e já estou separada, mas os anos que estive com meus filhos, cuidando, ensinando foram valiosos para mim e para eles, contudo estudei e pude dar uma boa educação para eles, mesmo não trabalhando fora. Um beijo e já me considere tua nova amiga virtual. Jesus te abençoe.

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