No 5º ano os alunos do ensino público não têm alternativa, o Inglês é a
primeira língua estrangeira a estudar, o que tem lógica, pois já a começam a
estudar no Primeiro Ciclo. No 7º ano deparam-se com a escolha da segunda língua
estrangeira, e esta é realmente a primeira opção dentro do Ensino que traz
consequências.
A primeira é que a turma, normalmente, constituída desde o 5º ano, e
frequentemente desde o 1º ano, se separa, com a saída de uma parte dos
elementos da turma para uma língua, e uma segunda parte de alunos para
outra.
A segunda é o peso da aprendizagem da segunda língua. Com "peso",
eu pretendo dizer "valor" da língua a ser estudada. Eu tenho notado
que este segundo item é considerado, pelos pais e alunos, como algo
bastante irrelevante. Tomam como muito mais decisivo, o facto da turma se
manter a mesma, e que os filhos continuem a ter os mesmos amigos.
Consequentemente, permitem que os filhos façam a opção da segunda língua
estrangeira a ser estudada.
Na minha humilde opinião, apesar de eu reconhecer que é importante manter os
filhos com o mesmo grupo de amigos, o valor da nova língua estrangeira,
sobrepõe-se sem margem de dúvidas.
Como sou adepta do compromisso, e considero importante que os filhos exprimam
opiniões e façam escolhas, a opção da segunda língua estrangeira não poderia
ser impositiva. Portanto, a conversa sobre a opção a fazer, já a tivemos logo
que as crianças entraram no Segundo Ciclo; ao longo do tempo, voltamos a
debater o assunto, de forma a que a mentalização da segunda língua fosse aceite
e compreendida pela parte deles.
O Duarte optou pelo Francês, por vários motivos. Ao contrário da opinião
generalizada, é falso que a língua espanhola seja uma língua mais fácil, e
portanto os alunos consigam melhores notas; é uma língua que entendemos bem,
porém a nível gramatical é muito complexa, aumentando realmente o grau de
dificuldade de aprendizagem.
É verdade que o Francês é uma língua mais difícil por ser foneticamente
diferente do Português, e ter uma gramática tão complexa como a nossa, no
entanto é por isso mesmo que devemos apostar nela.
Enquanto qualquer português não se coíbe de estudar ou trabalhar em Espanha,
mesmo sem conhecimentos da língua, pois sabe que vai sempre "desenrascar-se",
e ao fim de algumas semanas domina o Castelhano, com o francês isso já não
acontece.
Aprender uma língua estrangeira sai muito caro e demora muito tempo, por
isso a aprendizagem do Francês deve ter primazia.
Imagino que no futuro, ainda que nunca estudem Espanhol, os meus filhos
poderão fazer um programa de intercâmbio, como o Erasmus, e assegurem a
aprendizagem do Castelhano em tempo real, a custo zero, de tempo e
dinheiro.
Ainda, relativamente ao futuro, e se bem que tudo na vida seja incerto,
e projecções a tão longo prazo se revelem factuais ou não, educamos os
nossos filhos já pensar que o Mundo é o lugar deles, e estamos a prepará-los
nesse sentido. Actualmente, parece-nos que os países francófonos estão
mais a salvo da crise, e estão também cultural e geograficamente mais próximos
de Portugal.
Por último, o Francês é uma língua que eu domino, e portanto poderei
auxiliar os meus filhos no estudo da língua.
Com certeza que os argumentos que apresentamos são algo pessoais, por
conseguinte acredito que nem todos os leitores os validem; no entanto, para nós
fazem todo o sentido. E para terminar, vou fazer finca-pé neste ponto: a
escolha da segunda língua estrangeira não deve ser aleatória! É demasiado importante para que se
faça baseada em argumentos passageiros como manter o mesmo grupo de amigos. O
grupo de amigos vai diminuir e crescer ao longo da vida escolar; poucos da
infância permanecerão ao longo dos anos, e amigos novos ficarão para sempre. É
normal, é o fluir da vida.
Tenha uma óptima semana!