quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Quando o Telefone era Fixo e Limitado

Esta nova geração está tão habituada a ter disponível um meio de comunicação ilimitado que nem conseguem imaginar como era não o ter. Desconfio que a grande maioria até desconhece que houve um tempo em que não era nada assim; que o único aparelho telefónico era comum a toda a família, que estava em casa, preso por um fio, e as comunicações feitas por ele eram apenas verbais e cada uma delas era paga, ao minuto, com tarifas crescentes, do local ao nacional, sendo as internacionais caríssimas, e por isso raramente se faziam; aliás, frequentemente, combinavam-se antecipadamente as horas e dias para esses telefonemas, pois a partir das 21h, ou aos fins-de-semana, as chamadas eram mais económicas.  

Portanto, as conversas tendiam a ser sintéticas e assertivas, eram para dar recados, para saber como a família e amigos se encontravam, dar os Parabéns, desejar Boas Festas, ou as melhoras. Não havia conversa de "chacha". E isso, parecendo que não, tem importância, tem e muita; o nosso cérebro focava-se no essencial, no que dizia e no que ouvia. 

A partilha de um só aparelho também tinha o seu quê de especial; as pessoas acorriam ao telefone para o atender, esperando que fosse para elas. Por vezes, quando a conversa interessava a toda a família, todos se encostavam ao auscultador o mais que podiam para ouvir em primeira voz as novidades, o nascimento de um bebé, o anúncio de um casamento, ou notícias mais tristes, como acontece na vida. 

Não sou saudosista, acho o telemóvel muito prático, mas também o vejo como um aparelho demasiado intrusivo, espera-se que esteja sempre connosco e que atendamos todas as chamadas, e que nos gasta demasiado tempo, por oferecer diversas funcionalidades, internet incluída. 

Como não gosto de falar ao telefone, tendo a encurtar todas as conversas, continua a ser, para mim, um meio de dar um recado. A única excepção que faço é para a minha amiga que vive na Alemanha, por razões óbvias. As pessoas reclamam que "nunca" atendo o telemóvel, o que não sendo verdade, lhes dá essa sensação por todas as pessoas atenderem mais do que eu. Simplesmente, deixo o telemóvel pousado algures, ele toca e acontece de não o ouvir, devido à casa ser grande, ou aos barulhos da casa abafarem o som. Não me preocupa nada, quando vejo o telefonema não atendido retribuo. Porém, quando o telefone era fixo estas queixas não existiam, as pessoas voltavam a ligar e em algum momento, alguém atenderia. Dessa postura sim, confesso que tenho saudades.  



segunda-feira, 24 de novembro de 2025

"A Prova de Que a Mente Cria"

Um laboratório, em Israel, fez uma experiencia super interessante; colheram uma amostra de sangue a pessoas que estavam doentes, e observaram ao microscópio a bactéria movimentando-se naquele sangue, e depois mostraram aos participantes um filme cómico, eles riram, passaram um bom bocado, e voltaram a retirar uma amostra de sangue que voltaram a analisar, e observaram que a bactéria estava a ser devorada pelos micrófagos*, que a matou totalmente. 

Depois fizeram ainda outra experiencia; colheram amostras de sangue a outro grupo de doentes, puseram-nos a ver um filme de horror, e no final voltaram a colher a amostra de sangue, e viram que as bactérias tinham sido reenergizadas e estavam a atacar os micrófagos, que tiveram que se afastar da bactéria porque estavam a ser destruídos. 

Isto prova como o ambiente a que estamos expostos nos afecta. E muito! 

Nesse sentido, e para começar a semana com uma tónica positiva, convido-vos a visitar a página do Zonnocacudishow, irão dar, certamente, umas boas risadas com as caricaturas que ele faz da Moda actual. 

( Diferentes dos macrófagos, mas semelhantes a estes, os micrófagos são um tipo de glóbulo branco fagocítico que circula pelo organismo em busca de substâncias desnecessárias ou nocivas para destruir. in Superfoodscience.com

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A Agenda do Medo - As galinhas espirram?!

Cá em casa a televisão está ligada somente ao domingo, porque a minha mãe vem almoçar e gosta de assistir aos programas que eu lhe seleciono, de canais que não tem em casa, sobre animais, concertos de música clássica, do mundo rural, como Uma Quinta e mil ovelhas que variam daqueles que ela vê durante a semana; porém, o mal da semana já está feito, vem sempre com aquele relambório dos assuntos mais terríficos do momento, que em nada acrescentam à nossa realidade.

Desta vez foi a gripe das aves; alerta-me para eu não comprar frango do aviário! Ora eu já não compro desses há imensos anos, já nem me recordo há quantos, foi quando me apercebi de como são criados, das hormonas de crescimento acelerado, e medicamentos para resistirem às doenças que lhes injectam, a alimentação transgénica, condições miseráveis em que vivem, todo um conjunto que resulta num "produto" nada ético e muito menos saudável. Já preferia comprar directamente ao criador, como faço em quase tudo. De qualquer forma cá em casa só há um elemento que come carne, então a compra é diminuta. 

Mas enfim, o tema é outro, e vai afectar a grande maioria das pessoas. Eu gostaria que houvessem mudanças alimentares, que priorizassem a ética e saúde, porém que fosse uma escolha pessoal e consciente, não baseada no medo. E para mim, esta é outra falácia, e quem vai cair nela mais depressa serão os citadinos, no mundo rural quem cria galinhas e as conhece sabe discernir se são saudáveis ou então doentes, as aves não adoecem por decreto nem por contágio jornalístico. 

Se têm mesmo que ver televisão, vejam programas divertidos, vejam programas da natureza, do mundo rural e natural! Tudo o resto é lixo e formatação, que só causam preocupação e temor. 


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

" As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia."

Li no Estoico Paterno, aqui, e faz todo o sentido para mim; conversar, verbalizar sentimentos, desabafar, é um processo necessário para a nossa saúde. Está provado que varrer para debaixo do tapete não resulta, mais cedo ou mais tarde o amontoado vai começar a sair, e nos momentos mais inconvenientes e inesperados. Parece-me que esta minha percepção será consensual. 

Em 2018, antropólogos viveram seis meses com a tribo Kaluli, da Papua-Nova Guiné — uma das únicas culturas conhecidas sem depressão ou ansiedade crônica.

E o que mais surpreendeu não foi dieta, genética ou religião.

Foi o que eles faziam toda noite, antes de dormir.

As crianças se reuniam ao redor do fogo e contavam o que mais doeu no dia.

Medos, raiva, vergonha, tristeza.

Ninguém interrompia.

Ninguém dizia “vai ficar tudo bem.”

Os adultos apenas ouviam… até a respiração da criança desacelerar.

A tribo chama isso de limpeza noturna.
Queimar o medo antes do sono pra mente zerar.
Psicólogos modernos comprovaram: falar do que sente antes de dormir reduz o cortisol noturno em até 40%.
O corpo dorme quando a mente para de fugir.

Mas nós fomos ensinados ao contrário.
“Não pensa em coisa ruim.”
“Vai dormir e esquece.”
E é por isso que você dorme cansado e acorda pior.
O corpo tenta descansar, mas a mente ainda tá lutando.

Você não precisa de fogueira nem de ritual tribal.
Precisa de coragem pra encarar o que sente.
Fale em voz alta o que te incomoda — mesmo que o quarto esteja vazio.
Respire até o corpo entender que acabou.

A mente só pára de te punir quando você para de mentir pra si mesmo.
É nesse ponto que o peso vai embora, o sono melhora, e a força volta."

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Os Dentes E Os Outros Órgãos


Acho fascinante a máquina perfeita que o nosso corpo é! E acredito, realmente, que todos os órgãos têm uma função e estão ligados entre si. Por isso mesmo, aquela história de que se pode remover aquele órgão, que não está ali a fazer "nada", como o apêndice ou as amígdalas, sempre me causou suspeitas. Todos são necessários, e quando removidos provocam, no mínimo, algum desequilíbrio. Portanto, quando encontrei a Dra. Yola Figueiredo, médica dentista integrativa, no Instagram, tudo o que ela dizia fazia sentido para mim. Este tipo de informação pode suscitar dúvidas para quem ainda vê o corpo e a saúde compartimentados, e porque  maioria dos profissionais de saúde não divulgam nada disto, porém, assim que nós ouvimos e lemos sobre este tema as coisas começam a fazer sentido. E é nosso dever procurar o conhecimento, para sermos consumidores responsáveis. Sim, também na saúde somos tratados como consumidores, embora nos chamem pacientes! 

Enfim, deixo as imagens que a Dra, Yola me enviou, para consulta e reflexão. Os dentes desempenham um papel de suma importância, e sabe-se, agora, que a saúde deles é fundamental para o nosso cérebro e longevidade. 



Como não se poderá achar tudo isto maravilhoso e misterioso?! Isto é obra divina, que não tenha o homem a arrogância de pensar que isto e aquilo são descartáveis, ou simples enfeites, apenas por sua ignorância. E que cada um honre o seu pequeno universo, conhecendo-o e cuidando-o com a atenção que ele merece. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Experiência Blind Date para Adolescentes

Vi este vídeo aqui no Instagram e o final é, realmente, chocante. Todos os jovens o deveriam ver, pois ilustra de forma elucidativa como funciona a interação nas redes sociais, como é fácil ao anónimo, por detrás do ecrã, mostrar o que não é, e manipular a mente da jovem pessoa com quem conversa.

( Agora vou dar spoiler para explicar a experiência. Aconselho a ver o vídeo antes de prosseguir esta leitura. )

Numa sala, uma série de adolescentes conversa, à vez, online com um grupo enorme de rapazes vendados, que só se descobrem à medida que vão sendo excluídos por ela, perante frases como: " Não gosto de ciumentos, portanto quem o seja saia". Até ficar apenas um, o selecionado que perante todas as perguntas lhe respondeu do seu agrado. Quando este se desvenda é o choque; é um homem muito mais velho, que poderia ser pai delas. 

Isto prova que os homens mais velhos têm a a capacidade de se adaptar e responder de acordo com aquilo que as adolescentes querem ouvir, não a verdade mas aquilo que lhes agrada. Os homens predadores que deambulam pelas redes sociais conseguem passar por jovens e conquistar a confiança das incautas e ingénuas, que pensam que estão conversando com alguém da sua geração. É, de facto, uma experiencia brutal. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Fama a Qualquer Custo

Há poucos dias li que tinha morrido "o rapaz mais bonito do mundo", Bjorn Andresen, que participou no FAMOSO filme de Luchino Visconti - Morte em Veneza, e fui pesquisar um pouco sobre ele. Desde logo a imagem era-me familiar, ao longo do tempo tinha-a visto por aí, o rosto de um rapaz bonito de 15 anos, com um ar infantil e inocente, que já não se vê actualmente, com essa idade. 

Foi o próprio realizador italiano que lhe fabricou o rótulo do "rapaz mais bonito do mundo" , que se consolidou como real ainda antes do filme ser exibido, num genial golpe de marketing.

Nunca vi o filme, porém ao ler sobre ele e Bjorn Andresen constatei que, mais uma vez, entregar um jovem à indústria do cinema é destruí-lo na sua essência. Aliás, o título que indicava a sua morte acrescentava- Que viveu uma vida triste. 

Foi exposto a situações constrangedoras e abusivas, e o que é público será certamente apenas a ponta do iceberg, por estar entregue aos adultos, muitos deles degenerados, que é sabido, pululam o mundo artístico, porque a família acreditava ser a oportunidade da sua vida. E isto tem acontecido com outros famosos que tarde ou cedo se vem a saber quanto sofreram a sofrem, por não conseguirem ultrapassar esses traumas, como Brooke Shields, Britney Spears, Justin Bieber, Demi Lovato, e tantos outros. 

Se a vida se complica para as pessoas que encontram a fama em idade adulta, e muitos deles sucumbem a todas as armadilhas, que dirá jovens e crianças?! 

Porém, o que se vem a descobrir tarde ou cedo é que essas jovens estrelas foram entregues, e praticamente descartadas, por famílias ávidas da receita que os filhos irão gerar. A ambição não é criticável, já o abandono e crença na total benignidade das pessoas que gerem as carreiras destes jovens profissionais parece-me sim criticável, porque não acredito que esses adultos sejam tão ingénuos a esse ponto, simplesmente fecham os olhos. 

Portanto, morreu o rapaz mais bonito do mundo que também foi dos mais tristes e uma coisa está ligada à outra, porque alguém assim o permitiu. 

Acho tudo isto repugnante, e terrivelmente triste para os jovens que têm a sorte de ser talentosos e o azar de lhes calhar famílias deste calibre.

https://www.nit.pt/cultura/cinema/morreu-bjorn-andresen-rapaz-mais-bonito-do-mundo

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

O Estado do Ensino

Das experiencias mais impactantes que tive na Escola, quando comecei a ler Poesia foi ter a minha percepção do que lia invalidada pela parte dos professores. Senti-me incrédula, e não compreendia como a minha interpretação poderia estar incorrecta. Depois percebi que havia uma só forma de interpretar os poemas, que já estava construída, aceite por todos, e já estava memorizada.  

Desde logo, disse que uma dia, se fosse professora, aceitaria todas as interpretações desde que bem defendidas e justificadas. A sensibilidade de cada um é diferente, a cultura também, o que torna a compreensão muito pessoal. Mais tarde, senti-me validade ao ler a resposta de um autor, que infelizmente não recordo o nome, em entrevista, como se deveria interpretar o seu trabalho: Eu escrevi, cabe ao leitor interpretar. Portanto, ela cedia ao leitor a liberdade da interpretação.

Estes dias vi um vídeo sobre uma situação caricata que envolvia o autor espanhol Julio Llamazeres, e o seu livro "Luna de lobos"; na escola o seu sobrinho tinha como tarefa analisar o livro, e ao escritor pareceu-lhe divertido que fizesse ele o trabalho, o qual teve negativa! O próprio escritor foi falar com a professora para saber o motivo, que foi: "Ele não compreendeu a obra". 

Imagino a cara da docente quando Julio Llamazares lhe disse que tinha sido ele próprio, o autor, a fazer o trabalho!

Isto não é ensinar, não é ensinar a pensar, a interpretar, a ter pensamento crítico. E por aqui se vê o estado do ensino, foi em Espanha mas em Portugal está igual. 

Vídeo no Instagram


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

As Formatações da Nova Era

Começo a pensar que aquela conversa de não criticar os outros, pois não sabemos todo o seu percurso, experiências marcantes e traumas, a ideologia divulgada pela Nova Era, não passa de formatação mascarada de tolerância, e bondade. Que no fundo, essa condenação da crítica absoluta invocando boas intenções, pretende aniquilar o pensamento crítico. 

Deveria antes ensinar-se a questionar o que é criticável ou não; por exemplo, se uma pessoa segue a moda independentemente do que lhe fica bem, alguém obeso com leggings, é algo que a mim não concerne nem impacta, porém, quando vejo jovens com calções tão curtos que parecem cuecas, já considero ter direito a criticar; francamente, prefiro ser poupada ao espectáculo de ver as nádegas de outrem à minha frente, enquanto subo umas escadas, como já aconteceu. A exposição excessiva do corpo, sobretudo em espaços públicos como a rua, é algo que não considero adequada. Porém, haverá quem defenda o direito de o fazer não importando o impacto para os outros, sob o pretexto - o corpo é meu, tenho o direito de fazer o que entender. Ora, eu penso que também tenho direito de afirmar o que me causa desconforto, de apontar o que não se alinha com uma conduta adequada dentro dos meus valores, e tenho direito a ter esses valores, e zelar por eles. 

Todavia, os defensores de todas as causas, escudando-se na liberdade ilimitada, mas apenas no que concerne aos libertários, pretendem inibir-nos o pensamento e a sua consequente verbalização. Não é evidente que existe aqui um contrassenso? Uma censura apenas para um dos lados? Penso que é bastante óbvio. 

Portanto, começaram por defender a abolição da crítica ao outro, sob a capa das boas intenções- ignoramos a vida do outro- e terminamos proibidos de emitir opiniões sobre tudo na sociedade, se for para discordar, e dentro de uma linha de valores mais conservadores. 

Quando nos impedem de desenvolver o pensamento crítico, reparem, já não o ensinam, estamos na fase seguinte, não o verbalizar, sob pena inclusive de fecho de conta nas redes sociais, e até pena de prisão, como está a acontecer em Inglaterra e Alemanha, ficamos à mercê da narrativa que a hierarquia nos quer impor, sejam governos, políticos, jornalistas, enfim, os chamados decisores. 

Recentemente, em Marseilla o presidente da Câmara proibiu a exibição do filme Sacré Coeur, invocando a laicidade do Estado, e isto gerou uma onda de contestação da parte dos cidadãos franceses, cristãos e até ateus, que está a revogar esta acção de censura. A capacidade crítica dos cidadãos entrou em movimento e reverteu uma decisão hierarquica; esta capacidade dá-nos poder, torna-nos participantes activos da sociedade, e intervenientes no curso da civilização. Não podemos permitir que nos subtraiam esse direito, temos que o reclamar e defender incessantemente. 

Filme Sacré Coeur

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

O Menino e a Alcateia

Animais e crianças, as minhas criaturas favoritas. Li esta história maravilhosa na página David Attenborough fans. Existem outras, de crianças perdidas na selva e adoptadas por animais, e portanto, talvez, a lenda de Mogli seja inspirada numa dessas histórias verdadeiras, em que a realidade ultrapassa a ficção. 

"Durante um passeio em família, um menino de 9 anos com autismo perdeu-se na floresta e desapareceu. As equipas de busca vasculharam a mata durante toda a noite — nada.

Ao nascer do sol, saiu das árvores, enlameado, mas em segurança. Quando a mãe lhe perguntou como tinha encontrado o caminho de regresso, ele respondeu suavemente: "Os lobos guiaram-me".

Ninguém acreditou nele — até que, uma semana depois, a câmara de um caçador revelou a verdade: o rapaz caminhava entre dois lobos, um a liderar, outro a guardar atrás.

Especialistas ficaram surpreendidos. "É empatia", disse um biólogo. "Reconheceram o seu medo e protegeram-no."

A sua mãe não ficou surpreendida. "Ele sempre se sentiu ligado aos animais", disse ela. "Acreditei nele o tempo todo."

Agora, os habitantes locais dizem que, em noites tranquilas, uivos suaves ecoam pelas árvores — uma canção de embalar da natureza que outrora protegia uma criança perdida. " https://www.instagram.com/davidattenborough_fans/

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Como Se Escolhe uma Profissão?

 Estamos, praticamente, no início do ano lectivo e a este propósito tenho conversado mais com amigas cujos filhos ingressaram na Universidade este ano; há histórias do arco-da-velha relacionadas com este tema, como a menina que entrou em Medicina, mudou para Matemática e andou um ano inteiro a fingir que continuava no curso inicial até reunir coragem para contar aos pais. O pai chorou! Não por pensar no estado da filha durante aquele ano, mas por perder a concretização do seu sonho - ter uma filha médica!

Outra terminou Medicina, onde foi muito infeliz ( continua a ser a carreira de sonho para os pais!) quando queria ter estudado, coincidentemente, Matemática; mas como disse o pai: Com essa média era uma pena!


E outra ainda, desistiu da carreira de enfermagem, logo no início, está a trabalhar num escritório e a estudar à noite, embora os pais continuem a pagar as quotas na Ordem. Só o fez, depois de sair de casa, e agora, segundo ela, é feliz.

Os pais continuam a dirigir rumos, e frequentemente, de forma tão impositiva e despótica, para cumprir sonhos pessoais e resolver frustrações íntimas que nem se apercebem como estão a atrasar e complicar a vida dos filhos. Claro que há os pais que não se imiscuem de todo, e deixam essa escolha totalmente aos critérios dos filhos,  também estão em falta. 

É preciso orientar, são tão novos, tão inexperientes, que conversar com eles mostrando-lhes os vários aspectos das profissões ponderadas é um dever nosso. Eu, por exemplo, se tivesse um filho a dizer-me que queria estudar Enfermagem, iria falar-lhe dos inconvenientes do trabalho por turnos, dos feriados e fins-de-semana em contramão da família e amigos, da dificuldade de colocação e precaridade. Evidente que se ele tivesse, claramente, vocação para tal actividade iria apoiar a 100%, porém já não iria às cegas. Aliás, para qualquer trabalho eu apoiaria totalmente estando convencida de que era um chamado vocacional; quando assim é, por mais difícil que encontrar trabalho seja, eles acabam sempre por se dar bem, pois o gosto com que trabalham torna-os bons profissionais, e isso vai dar frutos.

Então, tenho pensado se a entrada na Universidade é um sonho realizado mais para os filhos ou para os pais. O curso superior já não é garantia de emprego, muito menos bem remunerado, estão em ascensão as profissões manuais, havendo grande demanda e pouca oferta, o que faz subir vencimentos, são profissionais que pedem o que querem pelo trabalho e já ninguém discute, pagamos, ponto. O desprezo da sociedade pelos ofícios manuais levou a esta carência actual e aflitiva. E muito injusto é este preconceito - O uso das mãos não impede o do cérebro! 

Seria tão bom se os pais, os educadores, os professores, a sociedade em geral se dedicasse antes a orientar os jovens para a descoberta de deles mesmos, de modo a se estudarem, a conhecerem-se no sentido de saber o que gostam e não gostam, sem a formatação do status, do sonho parental, do desejo primário de "ganhar muito dinheiro", mas antes de se imaginarem activos numa área que os realize, que desenvolvam sem síndrome de "segunda-feira", que lhes proporcione satisfação. 

Eu sei que o mundo laboral está em constante mudança, e as gerações mais novas também, a maioria não se imagina a desempenhar o mesmo trabalho toda a vida, portanto outras vias se abrem no horizonte, e talvez tudo se resolva, mais adiante. Espero que sim, desejo-lhes que sim. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Em Quem Confiar?

Como podemos confiar ainda em políticos e governantes depois de tantos anos a ver uns e outros a falharem miseravelmente? É como ir ao mesmo restaurante, repetidamente, e esperar que a comida seja diferente apenas porque mudaram as fotos da ementa. Vão servir-nos exactamente a mesma coisa!

Certa vez disseram-me algo do tipo: "Mais vale um mal que já conhecemos do que a incerteza de um bem", e isto reflecte exactamente a mentalidade das pessoas, e por isso continuam a votar. 

O que mais estranho é que, no geral, as pessoas aprendem com situações muito pessoais, se algum familiar ou amigo lhes pregar uma rasteira, deixam de confiar e levantam a guarda para que não se repita uma segunda vez. Porém, aos políticos, estranhos totais, e com o rótulo pejorativo às costas e à frente, dão-lhes oportunidades contínuas! Seremos todos "reféns de Estocolmo"?!  

Bem sei que estas eleições são locais e julgo que actualmente, a maioria das pessoas, já vota apenas nos candidatos, não nos Partidos, o que me parece muito bem, sobretudo quando os conhecemos, quando nos são próximos. Não sendo, políticos de carreira, para mim, já estão no patamar dos evitáveis, esses vêm para servir a hierarquia, não o povo que os elege. 

Quando as pessoas compreenderem que precisamos, sobretudo, de pessoas honestas, com sentido de serviço comunitário, começarão a surgir candidatos entre os cidadãos com esses requisitos. E essa será a verdadeira Revolução. 


segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Segredo Para a Vida Boa

Ouvido por aí...

"As coisas vão bem às pessoas que percebem quão importante é relacionar-se com os outros correctamente".


quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Do Infantário à Faculdade


 Fui procurar a primeira foto publicada aqui, no Mãe... e muito mais, do primeiro dia de escola da Letícia, com 5 anos, e pela primeira vez no Infantário, para a juntar com a foto da última vez que entrou na Faculdade como aluna. Fim de um ciclo. 

Entusiasta desde o primeiro dia, responsável e muito senhora de si. Não foi um caminho fácil, encontrou desafios que me ultrapassaram enquanto mãe e protectora, porque me pedia para ser ela a resolvê-los. Ainda hoje me pergunto se fiz bem em respeitar todos os pedidos. Ela continua a dizer que sim, que era o caminho dela, e todos os episódios fizeram parte do seu crescimento. O certo é que se tornou num ser humano de alto valor. 

Acompanhar estes últimos 5 anos de Faculdade, num curso que é considerado o mais trabalhoso e exigente (aliás, no início do verão foi transmitido na RTP uma peça que incluía as Faculdades de  Arquitectura do Porto, Coimbra e Lisboa e só então os familiares e amigos tiveram real noção de tudo o que a Letícia passou), foi frequentemente penoso, porém ela fê-lo entre os melhores, de diversas e marcantes formas. 

Assistir à defesa da tese da Letícia, vendo-a tão centrada no seu trabalho, de aparência tranquila e equilibrada, encheu-me de orgulho. 

Bem sei que outros desafios se avizinham. Mas agora saboreamos os frutos recolhidos, a doçura do sucesso vindo do trabalho e empenho.

E a Letícia uma merecida pausa, para ganhar folego para o próxima etapa.


quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Tempo É Dinheiro

Entre 2 orçamentos para fazer uma cabeceira de cama optei pelo mais económico, dado que até já conhecia o trabalho desse estofador, porém, ao chegar à data de entrega combinada, ainda não tinha feito o trabalho, e adiou para mais duas semanas, ao fim das quais voltou a falhar, e adiou mais uma, e nessa também não cumpriu o prazo. Cancelei o trabalho com ele e voltei ao sítio que cobrava mais 50€, que me deu um prazo de 4 semanas. Na data a entrega foi feita.  

Por vezes não compensa, realmente, esperar pelo mais barato, e mais vale pagar pelo compromisso sério. 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Somos Naturalmente Empáticos, excepto se...


Nunca tudo me faz sentido, naquilo que ouço ou leio, mas quase sempre há algo que aprendo no meio disso. Este vídeo, ao minuto 10 relata uma experiência que me maravilhou. 


Há uma experiencia que se fez com ratos, em que se colocava um dentro de uma jaula e outro ficava livre com comida, a ideia era comprovar a ideia Darwiana, em que os animais só procuram o benefício próprio, e portanto o rato livre iria comer e partir; o que se verificou foi que quando o rato livre descobria o botão libertava sempre, o rato preso, e deixava-lhe comida. A explicação é: Se os ratos têm neurónios-espelho (isso faz sentir em nós o que nos apercebemos no outro), sente a aflição do que está preso, isto é - empatia! Portanto, o rato stressado que está preso está a provocar stress ao que está livre; com os neurónios-espelho está a perceber toda a tensão que vive o enjaulado. Ou seja, a empatia é algo biológico, não é racional.  

Então, o rato livre sabe que para se acalmar tem que acalmar o outro, e que a comida é um calmante. 

A outra opção para não sofrer é sair dali, já não vê, e portanto já não sofre, porém, isso só acontece quando nesta experiencia dão ansiolíticos ao rato livre, que nessa condição, come todo o alimento e vai embora. Porque o ansiolítico elimina a empatia. 

Estando numa época de consumo exacerbado de ansiolíticos que são receitados despudoradamente pelos médicos, para tudo e mais alguma coisa, é fácil de perceber porque anda a humanidade alheada e indiferente ao seu irmão. 

Parece-me que esta experiência deveria ser amplamente divulgada e objecto de reflexão!  

( Na eventualidade do vídeo não funcionar, está aqui: 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

A Terra que Arde

Dizem que metade da Península Ibérica está a arder; não se aguenta tantos relatos e vídeos que testemunham quem está a sofrer com a perda dos animais, das casas, dos campos, dos pastos, da maquinaria, do trabalho de toda a vida, das mortes e dos feridos destes incêndios. É de cortar o coração assistir ao desespero dos que estão em perigo, ou que passaram por tudo isso. O reino animal, vegetal e mineral sucumbe. 

Quem está no campo, que vive nele e dele sabe onde estão os erros administrativos, como se fazia antes com os corta-fogos e outras estratégias preventivas e reactivas, que os burocratas de gabinete já não implementam, nem permitem que o povo as use. 

O povo que sofre está indignado, assustado, praticamente destruído, clamando por ajuda que não chega. Espanhóis e portugueses. 

Estranhamente, este verão por onde vivo não tem havido incêndios, apesar dos inúmeros fogos não cheira a queimado nem o vento tem trazido faúlhas como acontece. Aqui, por onde vivo, as terras não são raras.

Estou de alma e coração com todos eles; que Deus os ajude porque está visto que só Ele pode. 

terça-feira, 29 de julho de 2025

Dica de Leitura - Below Stairs

"Quem gostou de Downtown Abbey ou Upstair Down Stairs irá saborear estas memórias exuberantes", e foi com este anúncio que a minha atenção foi captada, e comprei o livro. Contudo, após a leitura concluí que não é exactamente assim.

Margaret Powell, 1907-1984, foi um escritora inglesa que com este primeiro livro, imediato best-seller, se converteu numa personalidade televisiva, e autora de outros livros. 
 
Eu sabia que era o livro de memórias de uma serviçal inglesa, no início do século XX, logo, que não narraria uma vida glamorosa, mas pensei que teria a perspectiva agora de alguém que está nos bastidores de uma casa senhorial, como a de Downtown Abbey, e em simultâneo partilharia a visão desses que vivem na sombra das grandes famílias, sobre eles próprios e seus empregadores. E foi efectivamente assim, foi descrito como viviam os privilegiados, e como viviam os menos afortunados, com mais detalhe ainda, porém, devido ao saltitar constante desta senhora, que no direito dela foi procurando sempre um melhor salário e melhores condições, nunca ficou muito tempo nessas casas, e não teve tempo para se entrosar na intimidade das famílias para as quais trabalhava. É por isso um relato bastante superficial. 

Além disto, a escrita é própria de alguém sem grande instrução, bastante básica, pouco emotiva, limitando-se muito a factos, como se contasse notícias. 
Portanto, era alguém que gostava de ler ( louvável, mas isso não basta, é preciso fazer leituras de qualidade, para aprender e evoluir), e tinha qualidades pessoais de valor, como o empreendedorismo, a audácia, a inteligência de aprender por si, e evoluir, cujos aprendizagens transportou para a sua vida privada, marcando assim um melhor destino para si, a sua família. 

Em suma, é uma leitura leve, daquelas que se fazem rapidamente e recomendada para quem ainda não conhece os bastidores das grandes famílias inglesas. 

Título: Below Stairs
Autora: Margaret Powell
Editora: Pan Books
Nr de Págs: 210
 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Bolo Esponja com Lemon curd

 


Queria um bolo suficientemente grande para um lanche de cerca de 10 pessoas, e este é, só precisou de um upgrade para lhe dar aquela frescura de verão, e um visual apelativo. 

Já tinha feito o lemon curd no dia anterior, o que aconselho, é menos uma etapa, e fica mais firme; a receita que faço é do canal La dolce Rita, no YT. 

Bolo Esponja Com Lemon Curd e Chantilly

Ingredientes:

450 gr de farinha
420 gr de açúcar
6 ovos
200 ml de água a ferver
3 c. chá de fermento
1 c. chá baunilha em pó

Como fazer: 
Separar as claras das gemas. Bater as claras em castelo. Num recipiente à parte, bater as gemas levemente e juntar o açúcar. Bater com a velocidade mais alta da batedeira até ficar um creme claro (+|- 10 min). Na velocidade média, juntar a baunilha e depois a água a ferver em fio batendo sempre (estava cheia de medo de fazer ovos mexidos mas acabou por correr bem). Quando estiver bem misturado, juntar a farinha peneirada com o fermento e misturar com uma colher de pau. Juntar depois as claras batidas em castelo. Envolver delicadamente e despejar numa forma untada com margarina e polvilhada com farinha. Levar ao forno a 180ºC até começar a ficar douradinho por cima (fazer o teste do palito).

Depois de frio recheei com o lemon curd, cobri com chantilly ( o Aldi tem natas bio que me fazem lembrar o chantilly da Leitaria da Quinta do Paço), e a Letícia decorou com alguns frutos vermelhos; se soubesse que os frutos vermelhos iriam ser tão cobiçados tínhamos posto uma montanha deles, mas não ficava tão bonito, pois não? 


A receita do bolo veio do Mãos de Manteiga - aqui.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

10 Prácticas Para Regular a Ansiedade

Ultimamente, sinto que o meu nível de ansiedade tem aumentado conforme tenho mais tarefas, e não é nada agradável. Acompanhei o processo com a minha filha, que desde que ingressou em Arquitectura passou a sofrer bastante de ansiedade, mas realmente não há nada que nos ensine tanto como a própria experiência. A maioria das vezes é difícil imaginar, com exactidão, como o outro se sente, portanto para mim isto também tem sido uma verdadeira aprendizagem. 

Encontrei estas dicas, no Instagram, que partilho por me parecerem muito úteis ( só não concordo com a normalização da ansiedade por me parecer que passando a ser normal passa a ser definitivo, e para mim é algo que deve ser curado, ou ultrapassado, para se viver sem ela), e estratégias algo fáceis de implementar:

 "Se tem um filho que sofre de ansiedade ligeira, sabe que é de partir o coração assistir a isto.

Entre as pressões da escola, as redes sociais, as hormonas e o próprio crescimento, os adolescentes de hoje carregam consigo mais do que alguma vez transportámos na sua idade.

Eis 10 práticas que adotamos e consideramos úteis:

Rotina regular do sono:

Incentive 8 a 10 horas por noite, com uma rotina de relaxamento, talvez um chá de ervas, um banho de magnésio e sem ecrãs 1 hora antes de dormir.

Alimentos integrais nutritivos e refeições tranquilas, consumidos em conjunto:

O ómega-3, o magnésio, as vitaminas do complexo B e os alimentos ricos em proteínas ajudam a regular o humor. Limite o açúcar e os snacks processados.

Movimento diário:

Caminhar, dançar ou praticar desporto ajuda a libertar a tensão e a aumentar a serotonina.

Diário/Arte: 

Pegar num lápis e num bloco de notas ou, em alguns casos, em algumas canetas e num livro de colorir pode ter um impacto muito positivo na redução do cortisol e ajuda a exteriorizar pensamentos ansiosos.

Tempo na natureza:

Mesmo 15 minutos ao ar livre podem ajudar a restaurar a calma.

Estabelecer zonas ou horários livres de ecrãs :

Isto é difícil, mas tentamos ter um horário sem ecrãs depois da escola, enquanto tomamos chá e conversamos sobre o dia e nunca temos ecrãs à mesa. Os telemóveis são retirados antes de dormir para evitar mensagens de texto a altas horas da noite, etc.

Horários consistentes de sono e vigília:

Juntamente com rituais matinais e noturnos, criam uma sensação de segurança e previsibilidade. Algo tão simples como deitar cada um torna-se um momento em que cada um fica sozinho consigo; isso geralmente leva a partilhar algo pessoal ou simplesmente a um beijo e a uma gargalhada.

Converse regularmente sem agenda.

Não há necessidade de resolver os problemas deles ou de oferecer soluções. Só o facto de estar presente já ajuda muito.

Normalize a ansiedade. 

Tranquilize-os de que sentir ansiedade é normal, é uma resposta humana natural ao stress, ameaça ou pressão. Não estão sozinhos.

Modelar um comportamento calmo

Os nossos filhos espelham o nosso sistema nervoso. A nossa regulação apoia o deles. Acendo velas durante todo o ano, a qualquer hora do dia.

Oração ou meditação

Aplicações como Headspace, Calm ou Insight Timer são adequadas para adolescentes.

Vamos apoiar-nos uns aos outros e criar filhos que se sintam seguros, amados e tranquilos - começando em casa.

Via Via Sita Home

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Há Música Boa!

Carla Morrison - Disfruto (letra)

Ainda se diz que actualmente não se faz música boa, faz-se sim! Só que parece que não é tão promovida como o lixo sonoro que se ouve por todo o lado. Como no resto, temos que procurar, escolher e consumir a qualidade. 

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Devem os Pais Compensar os Filhos dos Diferentes Valores Gastos na Educação Deles?

Estes dias fui confrontada com uma questão que ainda não me tinha ocorrido; tendo uma filha ido em Erasmus (a pequena Bolsa que recebeu não cobre nem 10% desse semestre), não deveria compensar o outro filho com a mesma quantia? Quem me apresentou a questão pensa que sim. 

Pelo inesperado do problema a minha resposta foi aquilo que para mim tinha sido óbvio, ainda que inconsciente até aí - O Duarte não fez Erasmus porque não quis, tinha a mesma possibilidade. Mas a resposta não colheu aprovação - Ainda assim! 

Pelas circunstâncias externas a conversa encurtou-se, porém eu fiquei a ponderar o assunto. Eu não penso que estas coisas sejam assim tão equitativas; quer dizer, se os pais derem uma casa a um filho, é justo que também o façam com o outro, ou uma entrada para compra de uma casa, ou um carro, ou algo desta dimensão. Agora, nem tudo merece compensação; se eu tenho um filho que gosta de ir ao Ginásio, pago-lhe a mensalidade, mas nem me ocorre que deveria dar ao outro a mesma quantia, mensalmente. Ou aprender a tocar um instrumento, um quer aprender o outro não, vou também dar-lhe o mesmo valor? Não me parece. Então quem tem menino e menina sabe, normalmente, que o que gastamos com eles é sempre muito menos do que com elas, e isto desde sempre; claro que há excepções, mas o comum é que a oferta para as meninas é muito maior e tentadora, e elas têm também muito mais vaidade, e interesse na questão "Moda". Devemos também fazer a contabilidade neste quesito, e começar a compensar os meninos? Nunca ocorreu a ninguém, penso eu, porém se começamos a fazer estas contas, pela lógica esta secção também deveria ser considerada. 

Se, porventura, um filho terminar os estudos universitários na Licenciatura e o outro prosseguir, fazendo o Mestrado, deve o primeiro receber o valor equivalente a mais 2 anos de estudos? Nunca ouvi tal. 

E então que dizer daquelas situações, em que os filhos deixam a Escola cedo para trabalhar e um irmão, ou mais, prosseguem com os estudos até à Universidade? Devem os primeiros ser ressarcidos pelos gastos que não usufruíram, como os segundos? Nunca ouvi nenhum caso que disso fosse exemplo. Todavia, é possível que existam, embora muito raros. Pela certeza, posso afirmar que nunca ouvi nenhuma pessoa nessa circunstância reclamar sobre o prejuízo sofrido; o que já tenho escutado é "Eu não quis, o meu irmão foi mais esperto, aproveitou a oportunidade!". Agora, reclamar uma compensação, francamente, nunca tive conhecimento de nenhum caso. 

Esta minha conclusão repetida do "Nunca ouvi tal" não significa necessariamente que por isso seja correcto ou justo; a questão deve ser ponderada ainda, e aqui entram outros factores que podem ser muito pessoais e até subjectivos, por exemplo do tipo económico, porque há pais que não conseguem comportar duas situações financeiras exactamente iguais. Do tipo moral, porque há pais que podem fazer questão de serem rigorosamente justos nas quantias despendidas. Do tipo emocional, porque há pais que temem ser acusados pelos filhos de preferência ou favorecimento por um dos filhos; ou não o temerem de todo. 

De maneira que, após esta reflexão concluo o mesmo que de forma inconsciente já pensava. Os gastos com os filhos podem ser diferentes, conforme aquilo que eles querem e escolhem, e a Contabilidade não tem que ser feita de forma tão rigorosa, se houver essa disponibilidade da parte parental, quem quiser que aproveite! 

Este é um daqueles (raros, confesso) artigos que escrevo aqui que gostava realmente que originasse opiniões, gostava de facto de ler o que as pessoas pensam sobre o assunto, pois nunca li nada sobre o tema, e parece-me deveras importante e interessante. 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

As Flores Mais Perfumadas Para o Jardim

Para além da beleza que as flores proporcionam ao jardim há outro aspecto que tinha ignorado até começar a sentir a sua presença - o perfume! É delicioso sentir o odor das flores, sobretudo depois do pôr-do-sol, parece que o perfume se liberta para dar continuidade à presença das flores, através de outro sentido. 

Não foi aspecto que eu tivesse em conta no momento de decidir que flores semear, porém agora que me apercebo dessa importância é algo que recomendo.
No meu jardim, as flores que mais perfumam o ar são a Madressilva ( que escolhi por ser uma trepadeira autóctone), muito duradoura em floração, e aromática.

As coroas-de-rei ( sobretudo as brancas), mas essas só quando nos aproximamos delas, ou as ponho no centro da mesa.

As ervilhas-de-cheiro, cuja floração é demasiado rápida ( ainda bem que semeei algumas mais tarde, e por isso ainda as tenho), mas cujo odor é também sentido só na proximidade. Estas evito ao máximo de as cortar, pois cada flor representa uma vagem com sementes para o próximo ano. 

Ao apreciar o aroma das minhas flores, que faço logo pela manhã e durante o dia sempre que possível, só lastimo não poder engarrafar o perfume e guardar para o resto do ano. Não consigo explicar quão bom é, mas em compensação, sei que ficará na minha memória olfactiva. 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

"Os benefícios da caminhada"

Eu aprendi isso num dia ruim 👇🏼
Daqueles em que o mundo pesa e tudo que a gente quer é sumir debaixo do cobertor.

Mas, por alguma razão, eu levantei e fui andar.
Sem meta e sem fone.

Aos poucos…
Deixei de olhar só pro chão e comecei a enxergar o horizonte.

Quando a gente se sente ansiosa e triste, o corpo encolhe.
A respiração encurta, o pescoço tensiona, o olhar se fecha.

Mas basta caminhar alguns minutos e algo muda:
🧠 O cérebro entende que você saiu do modo “ameaça”.
A visão periférica ativa o nervo vago, a circulação melhora, o cortisol cai.

🧬 Não é papo. É fisiologia.
Caminhar, especialmente ao ar livre, reorganiza os sistemas.
Regula hormônios, reduz inflamação, clareia o pensamento.

👩‍⚕️ Desde esse dia, eu prescrevo caminhada com a mesma convicção com que prescrevo exames.
Porque eu vi — em mim e em muitas mulheres — o impacto que isso tem na saúde física e emocional.

🧡 Quando foi a última vez que você andou sem pressa, só pra respirar melhor?

Dra Nayara Rocio, Instagram


https://youtube.com/shorts/snMPiMrswI0?si=2knq73NzfJ63qKal

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Preservar Fruta Fresca

Via Organizando & DecorandoFB

Esta é a legenda original da foto acima: "Levei 36 anos para descobrir que se colocar frutas em frascos de vidro, elas duram para sempre!

😳esses, sem mentira, tem mais de 3 semanas, antes tinha sorte se durassem 5 dias. Não sei quem mais conhece esse truque mas se não conhece, de nada! 😁"

Testei e realmente funciona, desde quinta-feira passada a fruta, morangos, mirtillos e cerejas estão em frascos e em perfeitas condições, duvido que chegue a 3 semanas, mas somente porque essa fruta irá ser comida antes! É boa demais esta época da fruta.



quarta-feira, 4 de junho de 2025

O Mundo Precisa de Cor!

Via

Estes dias estava a observar os carros na estrada, que passavam por mim, e constatei que 95% são pretos e cinzentos, poucos brancos e raros de qualquer outra cor. E lembrei-me de que nos anos 80, quando as pessoas começaram a comprar carros, ou seja, qualquer pessoa, até então era algo inatingível para a maioria, havia carros de todas as cores, vermelho, laranja, verde, amarelo, azul, tudo em variados tons. 

O mesmo acontece com as casas, antes eram coloridas, fossem de azulejos ou pintadas, as cores eram muito diversificadas, de acordo com o gosto dos seus proprietários. Actualmente só vejo casas pretas e cinzentas, e mesmo aquelas cuja arquitectura é dos anos 70, estão a acompanhar a moda, sendo também pintadas nessas duas cores. O que me parece ainda mais feio. Não é uma questão de gosto, é uma questão de tendência, e todos a seguem, como habitual nas modas. E por falar em modas, vi recentemente um reel de um jovem, a mostrar a secção masculina de uma loja de roupas, em que tudo era bege, preto e branco, e ele, de camisa colorida, perguntava: Onde estão as cores?! Também a moda caminha nesse sentido. 

Não é que eu seja saudosista ( embora esta afirmação não tenha nada de errado, como não ter saudades de algo que achamos bom ?!), porém, parece-me que o mundo todo vai nesta tendência da mono cor. Eu não gosto, e por dois motivos: O mundo fica mais triste, se aquilo que nos rodeia é igual, deixa de ser estimulante, por isso nos referimos às cores vivas como "alegres", em oposição, as restantes são tristes, e isso vai impactar a nossa mente, entristecendo-nos. 

Por outro lado, quando tudo é uniforme a criatividade é contida, e cessa de expandir-se, e o ser humano é um ser criativo que precisa de aplicar essa ferramenta natural que possui, para sua realização e satisfação. 

Agora aprecio, realmente, quando vejo um carro verde alface ou azulão. Ou uma casa antiga recuperada, com uma pintura esmerada rosa velho com relevos brancos, ou umas portadas violeta.  O mundo precisa de cor, nós precisamos de alegria, e tudo o que nos rodeia impacta-nos, para o mal ou bom. 

quarta-feira, 21 de maio de 2025

"Eleições"

Há 30 anos comecei a viajar pela Europa e vi como a população europeia se foi transformando, parecendo cada vez menos a verdadeira Europa, sobretudo em certos países. Eram os países mais ricos, e por isso Portugal estava à margem como destino, o que me agradava sobremaneira. O meu problema com isso não se relaciona com cor ou nacionalidade, mas com receio do que uma cultura antagónica à nossa, a ocidental dos valores elevados, respeito pela vida física e respeito pela escolha de vida de cada um, de religião, de sexo, de como cada pessoa escolhe viver, sendo prática normal e corrente, ficasse ameaçada. 

Porém, o jogo virou quando a U.E. começou a forçar os países a receber pessoas de origens tão distintas e até opostas às nossas, e em cada terra de Portugal, grandes ou pequenas, o tecido populacional se começou a mostrar, visivelmente, alterado. Em simultâneo, a criminalidade aumentou, e apesar de nas notícias, e muitos políticos, dizerem que uma coisa não está correlacionada com a outra, a população portuguesa, na sua maioria, sabe que está. Para mais, foi público que os imigrantes estão a entrar em Portugal de forma descontrolada, nunca houve a exigência do registo criminal, por exemplo. As pessoas, sobretudo mulheres, jovens e crianças, começaram a sentir os olhares e até perseguição, nas ruas, nos parques, nas áreas públicas, um assédio nunca antes visto. A segurança geral acabou; em certas terras as portuguesas naturais já não saem à noite, evitam certas ruas e zonas, porque aí já aconteceram coisas muito más. Nunca antes visto em Portugal, as violações colectivas passaram a ser notícia. Portanto, só quem vive numa bolha social ou se encontra em estado de negação não vê tudo isto a decorrer perante os nossos olhos. Não se preocupa ou alarma. 

Em suma, não foi de espantar, por conseguinte, o resultado destas eleições; por um lado o eleitorado escolheu novamente o mesmo governo, com aquela habitual premissa de "por não terem a maioria vamos deixá-los trabalhar", o prémio da vitimização, e a direita que denuncia o panorama social e político sobe, em detrimento de quem é responsável pela situação actual, e que teimosamente persiste em não querer ver, nem reconhecer. 

A segurança e futuro de Portugal preocupa-me, pelos meus filhos e os dos outros; quero que o nosso país possa oferecer-lhes uma vida segura e digna. Que continue a ser um país onde os direitos das pessoas sejam mais do que tolerados, sejam respeitados, e isso seja normal e inquestionável. 

Não acredito em extremismos, só e apenas quando se trata de preservar os grandes valores humanitaristas que fundam a civilização ocidental. 

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Dica de leitura- "O Doutor Jivago"

Via Alfarrabista Terra Média

Boris Pasternak nasceu em Moscovo, a 10 de fevereiro de 1890; a sua família ucraniana era abastada e de origem judia; o pai, pintor e professor universitário ( aliás, era amigo de Tolstoi e quem lhe ilustrava os livros), a mãe, pianista de concertos e filha de um conhecido industrial. A título de curiosidade, a sua família alegou ser descendente de Isaac Abrabanel, um famoso tesoureiro judeu sefardita do Séc.XV, em Portugal.

Pasternak estudou Filosofia na Alemanha, regressando a Moscovo em 1914, quando publicou a sua colecção de poesias, sendo conhecido na Rússia, principalmente, como poeta.

Em 1958 publicou o romance "O Dr.Jivago" na Itália, o governo russo tinha proibido a sua publicação por entender que era uma crítica ao comunismo, e imediatamente o livro se tornou num sucesso mundial. Nesse ano, Pasternak ganhou o Prémio Nobel da Literatura, porém teve de o recusar, forçado pelo regime soviético, e só 1989, com Mikhail Gorbatchev é que "O Dr Jivago" foi finalmente publicado no seu país. 

Em 1965 o livro foi adaptado ao Cinema, sendo um sucesso estrondoso, mas infelizmente o autor já não viveu para o saber, tinha falecido em 1960. 

Este romance histórico relata as primeiras décadas do século XX, fim da era Imperial e início do bolchevismo na Rússia, através da vida da personagem principal, Iuri Andreievitch, conhecido por Dr.Jivago. Inicialmente, é-nos relatada a vida desafogada da classe privilegiada a que pertence Iuri, ainda um jovem estudante de Medicina, que entra na idade adulta nessa época de convulsão social e política, que se proporcionou a ajustes de contas, frequentemente cegos, entre explorados e exploradores. A vida tornou-se extremamente difícil e desafiante, para além daquilo que o povo já conhecia, e julgava miserável. 

A sociedade russa, todavia, adaptava-se a todos os embates, improvisando e tentando sobreviver. Entretanto, casado e pai de um menino, o Dr.Jivago decide com a mulher sair de Moscovo, devido à insegurança e fome, e ir para a Província, aonde tinham propriedades, em busca de segurança. Após uma longa e atribuladíssima viagem chegam finalmente ao destino, para constatarem que nem nos confins do país se escapa ao sofrimento e miséria humanas. Aí, o Dr. Jivago encontra Lara, uma enfermeira que conhecera na juventude, e a sua vida começa a dividir-se. Entre a sua actividade de médico começa a escrever, algo que há muito ansiava fazer; esses escritos serão mais tarde fonte de rendimento, e muito apreciados.

A família acaba por se separar e o Dr. Jivago regressa, penosamente, a Moscovo, aonde o esperam mais desafios e complexas dificuldades. A II guerra mundial cola-se à catastrófica mudança de regime, comunista, e os russos lutam contra o invasor, prolongando a fome, destruição e tragédia. 

Não é uma leitura fácil de se fazer, acompanhar o desfragmentar da humanidade, a luta pela sobrevivência que chega ao ponto da antropofagia, em que o homem se transforma num animal feroz, que mata para não ser morto; a imposição de uma cultura comunista que termina com a opinião pessoal, com a inspiração do sentido moral, e impõe o passo do grupo; viver segundo conceitos estranhos a todos e o aumento da tirania; a imposição de Leis arbitrárias de forma aleatória, num dia funciona de certa maneira e no dia seguinte aquilo está proibido e severamente castigado, faz-me sentir uma compaixão imensa pelo povo russo. O que eles sofreram é inenarrável. E faz também crescer a minha admiração, pela resiliência, pela inteligência, pela capacidade de improviso e superação. Esta parte humana não raras vezes me comoveu a ponto de pousar o livro, e o fechar, de tão assoberbada me sentir.   

Também possui uma parte mais ligeira mas breve, embora importante para mim, é um gosto ler sobre a cultura clássica imperial russa, como viviam, como eram as suas casas, como recebiam, como preservavam os alimentos de forma natural, as suas referências literárias e musicais, como viviam em família e sociedade, tudo isso me encanta e fascina. 

Por tudo isto é, obviamente, uma leitura que recomendo vivamente. 

Título: O Dr.Jivago

Ayutor: Boris Pasternak 

Editora: Colecção Mil Folhas

Nr de págs:606       

segunda-feira, 12 de maio de 2025

"Fraco é o Maio que não rompe uma croça"

 

Via Pinterest


Estava aqui a pensar que este mês de Maio também não tem sido lá muito famoso, chuvoso e frio, que em breve será Verão e isto nem parece Primavera, quando me lembrei de um ditado que a minha mãe repete, ocasionalmente, " Fraco é o Maio que não rompe uma croça", justificando o frio e chuva. 

A croça é uma espécie de impermeável feita de palha, que se usava nas aldeias, pois protegia das intempéries e pela largueza proporcionava movimentos, e braços livres que permitiam a continuação dos trabalhos rurais, fosse com os rebanhos, fosse a trabalhar a terra. Muitas tinham capucho para proteger a cabeça, também. Até princípios do século XX ainda se usava muito, em meados do mesmo já eram poucos os que as vestiam, nas aldeias do Norte, mais afastadas. Era algo que se fazia com a produção local (totalmente sustentável!), todos os lavradores tinham palha, económica e eficiente. 

A propósito do dia chuvoso de hoje apeteceu-me destacar este elemento do vestuário rural português e, também, lembrar que se o ditado antigo assim o dizia era porque Maio sempre foi um mês mais próximo do Inverno do que do Verão! Nós é que temos pressa de dias de sol e bons, e então queixamo-nos do tempo, mas o clima está certo. Aliás, ainda temos outro que o comprova: "Em Maio come a velha as cerejas ao borralho"! 

O que me vale para me animar, é que, nas pausas da chuva dou um salto ao jardim, e observo que a Primavera está a fazer o seu trabalho muito bem, as plantas estão viçosas e os tubérculos brotam da terra, impulsionados pela força vital que opera maravilhas, fora do nosso alcance visual. 

Via Pinterest